sexta-feira, 18 de abril de 2008

Hoje quero morrer

Já não tenho esperança, invadido pela angústia consumo-me no desespero, sinto o ar que me enche o peito, da mesma forma que sinto as pernas trémulas, uma voz vibrante inunda-me a alma vazia, … grito!!! Mas estou subjugado pelo temor, que me deixa fixo a contemplar o horizonte, nestas trevas em que os relâmpagos tomam conta do firmamento, e a chuva me escoa pelos cabelos… sinto-me abatida, como quem marcha para a morte, aceito este destino, ela que venha… é a única certeza que tenho… a única certeza que tenho, é que um dia a vou conquistar… um dia há-de levar-me consigo… para longe de mão dada… hoje quero-te tanto quanto ontem, e ontem ao querer-te já era hoje… o hoje que se acaba num amanha que te quero… queria-te ontem… quero-te hoje… querer-te-ei amanha… é um desejo… é um desejo que me faz perder sem nunca te esquecer… quero morrer… sem me deter, sem me reter, quero morrer… estou farta de acordar no vazio… e de o que me espera lá fora, ser sempre um diz cinzento de Outono… estou farta de somar mais um dia ao tempo usado… estou farta que o dia que somo seja um dia que subtraio ao tempo a usar… é tudo sempre igual… e eu quero morrer… estou farta de sair para a rua e ter que abraçar mais um dia… mais um dia… um dia negro e cinzento… sinto-te presente mas continuas a adiar-me a partida… mas eu, quero morrer… estou longe de me ver morrer, continuas ausente dos meus desejos… preferes que continua a deambular pela luz que se apagou, por esta escuridão, que continue a deambular sem vela que me ilumine o futuro, porque o presente, esse, é igual ao passado que me faz querer morrer… o frio continua a invadir-me a alma… esta alma decadente que me gela o sangue e o corpo… o sangue que à muito coagulou… desespero… desespero neste corpo… desespero no tempo que parou… peço auxilio… já pedi um auxilio permanente mas continuo na mesma extrema ruína… continuo em avançado estado de decomposição… um estado avançado e acelerado… emano um doce cheiro nauseabundo… quero fechar os olhos… estende-me a mão… ajuda-me a atravessar esta fina ponte… quero abrir os braços e abandonar este mundo… quero simplesmente morrer… a minha alma à muito que caiu no abismo… quero diluir-me na terra suja… quero desfazer-me na pútrida… quero perder-me da vida… aparto-a… que os meus dois olhos se cerrem para sempre… quero morrer esta noite… não quero chegar à alvorada…
QUERO MORRER!!!